Caminhos de Santiago - Caminho Português

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Uma grande e muito especial aventura, que gostava de partilhar com todos vocês.




Como não sei se alguma vez ouviram falar nos Caminhos de Santiago, começo por fazer uma breve explicação, antes de contar a minha experiência em si. 

Assim sendo, os Caminhos de Santiago são os percursos feitos por peregrinos que afluem a Santiago de Compostela desde o século IX para venerar as relíquias do apóstolo Santiago Maior, cujo suposto sepulcro se encontra na catedral de Santiago de Compostela. Depois de vários séculos relativamente esquecida, desde os anos 1980 que a popularidade da peregrinação tem vindo a crescer substancialmente, embora grande parte das pessoas que fazem o Caminho — nome pelo qual é também conhecida a peregrinação — atualmente não o façam por motivos religiosos.

O Caminho tornou-se um itinerário espiritual e cultural de primeira ordem, que é percorrido, que por dezenas ou centenas de milhares de pessoas todos os anos. Foi declarado Primeiro Itinerário Cultural Europeu em 1987 e Património da Humanidade.

Os caminhos espalham-se por toda a Europa e vão entroncar nos caminhos espanhóis. Com excepção das várias vias do Caminho Português e da Caminho da Prata, do qual uma variante atravessava o nordeste de Portugal, que têm origem a sul, e do Caminho Inglês que vinha do norte, a maior parte liga-se ao Caminho Francês, cuja rota mais popular entra em Espanha na zona de Pamplona (Roncesvalles), se encontra com as restantes em Puente la Reina e segue ao longo do norte de Espanha. O Caminho é geralmente feito a pé, mas também pode ser feito de bicicleta, a cavalo, ou até de burro.



O símbolo dos peregrinos é uma vieira, cujas origens se atribuem aos povos ancestrais que antes do cristianismo peregrinavam a Finisterra, durante muitos séculos considerado o local mais ocidental do mundo conhecido e, como tal, o fim do mundo. O Caminho de Santiago é popularmente associado desde há séculos à Via Láctea, por supostamente indicar o caminho para Santiago de Compostela à noite. Via Láctea é um dos nomes dado ao Caminho e um dos nomes populares da galáxia em Espanha e Portugal é Caminho ou Estrada de Santiago.


Vou agora começar a contar a minha história em relação a esta caminhada...

Há muito que tinha interesse em fazer este caminho, no meu caso o Português, e com frequência abordava esse assunto nos Escuteiros, para que o pudesse fazer com a minha equipa, numa actividade escutista. Contudo, por dificuldades de conciliação de tempo, nunca fora possível. 

Então, um dia, após um acampamento regional, e suas respectivas desmontagens, ou seja, quando o cansaço fala muito alto, fui jantar com um grupo de amigos, também dos escuteiros com quem tinha estado no acampamento. Nesse jantar, este assunto surgiu em conversa, e foi basicamente assim : ''Eu queria ir, mas nos meus escuteiros nunca mais''; ''ahh, eu nós também"; "porque é que não vamos nós sem ser nos escuteiros?"

E assim foi! Este jantar foi em Agosto de 2013 e em setembro partimos para esta aventura. Tivemos este curto espaço de tempo para organizar tudo, rotas, listas de material, guia do peregrino e (acima de tudo) autorização das entidades paternais para tal viagem. (isto foi mais comigo, porque na verdade, fui eu e mais 5 rapazes... mas o meu pai deixou com bastante facilidade, por serem escuteirinhos).

Partimos, então, dia 3 de Setembro de 2013, do Entroncamento em direção ao Porto, onde iriamos começar a nossa caminhada. 

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 Na estação do Entroncamento

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 Na estação de Porto - Campanhã



Ora, chegados ao Porto, tivemos de nos dirigir até à Sé do Porto, para que nos fossem dados os nossos guias de peregrinos, sem os quais não poderíamos dormir em albergues, ter desconto em refeições, receber carimbos, isto é, ser considerados verdadeiros peregrinos.

Em seguida, dirigimo-nos para os Bombeiros Voluntários Portuenses, onde pernoitamos para no dia seguinte, bem cedinho, começarmos a aventura. 

E a realidade foi essa, quando amanheceu já vários km tinham sido percorridos, muitas fotografias tinham sido tiradas, e muitos sorrisos de satisfação tínhamos dado. 

E durante os dias seguintes foi sempre assim, acordávamos cedo para caminhar, fazíamos mais ou menos 25 km por dia (dependendo do percurso) e chegávamos à terra seguinte com algum tempo para passear, conhecer, visitar e muito importante, descansar! 

Todo o caminho é sinalizado por setas amarelas, que indicam Santiago. Por vezes aparecem setas azuis (no sentido oposto, que nos guiariam até Fátima. 

Os quilómetros foram sido percorridos, as noites foram passadas em albergues, as bolhas apareciam, o cansaço acumulava-se, mas conhecemos pessoas de todo o mundo que vinham para fazer O Caminho, histórias foram contadas, recordações guardadas, memórias para sempre, tudo valia a pena. 

É de realçar o apoio que as comunidades dão aos peregrinos, não há um café, uma casa, uma pessoa, que nos negue água ou casa de banho. Acontece até, pedirmos água e nos porem gelo dentro das garrafas. Perguntam se precisamos de mais alguma coisa, é realmente, gratificante. 

Aconteceu, estar a caminhar e já me custar tanto andar, que tinha que me apoiar em muros, e chorava, chorei bastante. As dores, o cansaço, a distância que nunca mais acabava. Mas sabem que mais? Quando cheguei à Catedral de Santiago para a eucaristia dos peregrinos, voltei a chorar, de tanta emoção que era estar ali, reunida com tantos outros que passaram pelo que eu passei.  

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Uma belga e um italiano a tratarem dos meus pézinhos





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 O grupinho após a Missa do Peregrino, junto à catedral 



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E foi este o grupo com quem acabámos por caminhar grande parte dos dias, acabando por ficar sempre nos mesmos albergues, pessoas maravilhosas que adorava voltar a encontrar! (Na verdade, numa viagem que fiz a Bruxelas já me encontrei com um amigo do caminho!) Temos alemães, uma belga, duas estadunidenses, um britânico, dois italianos e nós os seis, os mais jovens. 

Se gostam de aventura, desafios, e se como eu, creem, esta é definitivamente uma experiência para vós! É algo deveras marcante e especial. Não percam este tipo de sensações. 

Alguém já fez? 

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